"Em que mundo um homem tem o direito de destruir uma mulher, pelo simples prazer de ser engraçado? Em que ponto cego fixamos nossa humanidade?"
“No dia da mulher, um machista me chamou em um aplicativo, marcou um encontro em uma cafeteria e me deixou lá plantada. Depois eu descobri que foi uma aposta feita com os amigos. A aposta era como deixar uma mulher feia triste no dia da mulher. Foi a pior sensação do mundo, chorei muito. Estou acima do peso, não tenho mais saído de casa e não quero mais me relacionar com ninguém”. Recebi essa mensagem no direct do Ser Mulher no Brasil. E hoje, cinco meses depois, decidi escrever sobre isso. Demorei? Pode ser, é que, cá entre nós, as vezes escrever exige anular a ira e manter algum resquício de lucidez diante de requintes de crueldade elevada a diversão. Quando eu li esse relato, me veio um misto de sensações, das mais medonhas e primitivas, há tempos prometi não manter no meu peito sentimentos tão desalmados, mas até os corações mais treinados, em certas horas abraça a fúria. Em que mundo implacável vivemos? Em que mundo um homem tem o direito de destruir uma mulher, pelo simple...